06 julho 2011

A Televisão Cansa-me...

TELEVISÃO - MAIS DO MESMO


Se calhar, nos últimos tempos tenho visto televisão a mais, porque ando cansada.

Cansa-me o paternalismo de alguns líderes políticos nacionais e europeus, o umbiguismo de outros, as lições dos comentadores que fingem que não são políticos, a partidarite mascarada de comentário isento.

Cansa-me a falta de graça do Herman e o elitismo sectário da graça dos Gato Fedorento, só para Meo.

Cansa-me o exagero nos elogios aos mortos que são sempre muito melhores pessoas depois de mortos.

Cansa-me o mau português, a moda dos jornalistas acelerados, que confundem qualidade com falar depressa e com muita energia e com muita veemência e...

Cansa-me a pobreza informativa, a falta de notícias nos noticiários, os directos de coisa nenhuma.

Cansa-me o jornalismo que transforma em sondagem nacional tecnicamente irrepreensível as respostas de meia dúzia de gatos pingados anónimos ouvidos à pressa ao virar da esquina, porque, como eles são portugueses, OS portugueses pensam  daquela maneira.

Cansa-me tanto, que não escrevo mais nada, embora haja mais coisas que me cansam.

30 junho 2011

Coisas Tortas I - TMN Banda Estreita

BANDA LARGA OU BANDA ESTREITA?



Tenho uma placa de Internet que supostamente é de banda larga, mas que se revela minimalisticamente de banda estreita onde mais frequentemente preciso dela. É tão apertadinha, que tudo custa a passar e demora tréculos a chegar ao meu computador!

Fico alapada em frente ao ecrã, a ver vídeos aos solavancos, e a esperar eternidades pelo carregamento de uma imagem ou de um mail um bocadinho mais rechonchudo.

Eu sei que a vida é um teste permanente à paciência do indígena mas, caramba, até a placa de Internet!?

Ao que parece, trata-se de um problema de cobertura... e não devo queixar-me: a placa é TMN, e a TMN é a rede que melhor funciona nesta zona. Diz quem já experimentou outras que as da concorrência ainda são piores...

Acontece que eu não estou num deserto, do género Pulo do Lobo ou Nenhures de Baixo. Assentei arraiais em pleno centro de uma vila do litoral alentejano, onde, por sinal, se avista de vários lados uma magnífica antena que é da... TMN!

Dizem-me que em Lisboa a coisa anda depressinha... Pois... Já lá experimentei, repetidamente, durante várias semanas, e é mais rápida, sim senhora, desde que não seja a hora de ponta... nem à hora do almoço... nem à noite... pois... aí... há muita gente a navegar... É o tráfego...

Ora, bolas! 

E aquela geringonça não é para aguentar-se ao barulho, mesmo com muita gente a navegar? E a cobertura não é nacional? E não pagamos para ter velocidade até não sei quantos Giga?

Na minha  placa, só deve haver Gigalesmas!!!

Não, isto não é um elogio à TMN, por ser a menos má!!!

É um assobio enfadado a todas as operadoras que nos comem o dinheiro e se estão marimbando para a qualidade do serviço que nos prestam.

Vamos para Casa, Descansar (por QI Baixo)

VAMOS PARA CASA, DESCANSAR


As relações dentro da nossa selecção estão algo tensas. E fora dela também.

Queirós diz que Hugo Almeida estava "esgotado", Hugo Almeida diz que estava fresco que nem uma alface; Cristiano Ronaldo diz para fazerem a pergunta ao Queirós, outro técnico da selecção diz que Ronaldo não pensou no que disse; Eduardo diz que foi um esforço de toda a equipa, Portugal inteiro viu que só meia equipa se esforçou; enquanto o mesmo Eduardo chorava copiosamente no fim do jogo, o seu colega Pepe ria a bandeiras despregadas enquanto cumprimentava um colega espanhol; and so on and so on.

Felizmente, agora têm todos tempo para arrumar as ideias e sobretudo para descansar no recato do lar. É que não tarda, Ronaldo tem de estar a dar o litro na equipa espanhola que lhe paga o ordenado e os brasileiros têm de ir aprender melhor a letra do hino porque o Europeu é já daqui a dois anos.

Graças a Deus que para nós já acabou.


O texto que acaba de ler é da autoria de QI Baixo.
QI Baixo colabora com o Assobio, e escreve neste blog quando pode e quer.

22 junho 2011

Gorgetas

GORGETAS OU COMPLEMENTO SALARIAL?


Nunca  compreendi muito bem porque é que a gorjeta nos restaurantes (e até à mesa dos cafés) se tornou quase obrigatória. Tão obrigatória, que não deixar "qualquer coisa"  é muitas vezes mal visto: sinal de ganância, acto envergonhado.

Não percebo este tratamento especial.

Quem se lembraria de dar gorjeta ao empregado da farmácia que com calma e sapiência procura  as melhores pastilhinhas depois de nos aturar na descrição dos sintomas da dor de garganta que não levámos ao médico?

Passa pela cabeça de alguém dar qualquer coisa ao vendedor da loja de electrodomésticos que nos atura na indecisão entre a maquineta da marca x e a da marca y, e que nos explica tudinho, tudinho?

E quem paga mais do que o preço marcado ao empregado de balcão que vai ter de ficar a dobrar as sete blusas que nós experimentámos antes de nos decidirmos pela que levamos?

Alguém dá gorjeta à funcionária que num qualquer guichet  nos atende com competência, compreensão e disponibilidade?

Alguém dá moedas ao carteiro que diligentemente deposita o correio na nossa caixa?

Quem gratifica o dono do quiosque de jornais que todas as manhãs nos vê ler à borla os títulos de todas as primeiras páginas, e virarmos costas, "informados",  muitas vezes sem comprarmos nada?

E quem é que "gorjeteia" o motorista do autocarro que nos traz todos os dias à mesma hora, e que até já esperou por nós um segundinho, no dia em que nos viu a correr, atrasados?

Alguém dá?

Não. Claro que não!

E porquê?

Porque, obviamente, achamos que todas estas pessoas estão apenas a fazer bem o trabalho delas, como é sua obrigação, e para isso e por isso recebem o respectivo ordenado ao fim do mês.

Então, por que carga de água gratificamos o empregado de mesa? Não está ele, como todos os outros, a fazer "apenas" o seu trabalho?

Será porque se trata de comida que nos comportamos de maneira diferente?

Pode ser...

Mas, então,  alguém dá gorjeta ao rapazinho do talho que nos pisca o olho quando as costeletas é que são tenrinhas, e não os bifes que tínhamos a intenção de comprar quando entrámos?

E à senhora da padaria que todas as manhãs escolhe da bancada o pãozinho como nós gostamos, mais encruado ou mais tostadinho?

Alguém dá gorjeta à empregada da caixa do supermercado que, com sorte, até nos ajuda a meter as compras no saco?

E ao merceeiro do bairro que nos aconselha a experimentar um produto de qualidade e nos leva à descoberta de uma delícia?

Mais caricato ainda é não darmos gorjeta ao funcionário que nos atende ao balcão e somos capazes de nos sentirmos na necessidade/obrigação de o fazer se ele - o mesmo! - nos atende à mesa, ou na esplanada, quando o preço aí praticado já é, por tabela, mais alto do que ao balcão.

Ao que julgo saber, na minha ignorância, esta tradição vem do tempo em que os empregados de mesa não tinham ordenado e faziam depender o seu rendimento (ou parte dele) da generosidade dos clientes.

Actualmente, todas estas pessoas recebem um vencimento que até pode ser bastante baixo, mas não o é necessariamente mais do que muitos outros cidadãos trabalhadores, e até pode ser mais alto do que o de alguns  dos clientes que atendem.

Porque é que havemos, então, de tirar do nosso vencimento para aumentar os deles?

Um amigo dizia-me no outro dia que o faz para ter a certeza de que ninguém lhe cospe na sopa. Mais ou menos como dá a moeda ao arrumador para não ficar com o carro riscado...

Tenho andado a pensar: Já que a crise aconselha a reduzir depesas, e reduzir despesas implica cortar em alguma coisa, que tal começar pelas gorjetas?

E agora, chamem-me nomes...

04 abril 2011

Inveja é Sentimento Feio. E Desânimo? (por QI BAIXO)

INVEJA É SENTIMENTO FEIO
E DESÂNIMO?


Do meu local de trabalho tenho vista privilegiada sobre o Tejo, mais ou menos desde a zona do Parque das Nações até ao Cais do Sodré. Sim, é de facto muito bonito. Por estes dias, suponho que devido à chegada da Primavera, tenho também tido uma vista privilegiada para todos os navios de cruzeiro que aportam nesta zona da cidade... e só hoje podemos contar 5! Inevitavelmente, ouvem-se por aqui comentários do género "Espero que não partam sem mim!", "Eh pá, não sei mesmo onde guardei o bilhete!" e outros que se prendem sobretudo com o valor das reformas de alguns dos clientes deste tipo de turismo. Estes últimos são, provavelmente, os menos saudáveis. O problema é que me parece que quem os diz fá-lo mais por desânimo e menos por inveja, apesar de este ser um sentimento feio. Olha, lá está mais um a avisar que vai partir... eu, se tudo correr bem, zarpo daqui a bocado num cacilheiro para a margem sul, com solinho a bater nos vidros e tudo!


O texto que acaba de ler é da autoria de QI Baixo.
QI Baixo colabora com o Assobio, e escreve neste blog quando pode e quer.



30 março 2011

Dúvidas de um QI Baixo

DÚVIDAS DE UM QI BAIXO


Ando com esta dúvida há tempos: facilidade e facilitismo são coisas diferentes, certo? Por exemplo, quando uma criança é habituada a fazer os TPC sozinha e é pontualmente ajudada por um adulto em caso de necessidade, isso deve ser uma facilidade. Mas se a criança é habituada a ter os TPC feitos por um adulto, isso é facilitismo. Quando usamos a internet para, de forma mais rápida e fácil, obter informação para um trabalho, isso é facilidade, mas quando copiamos a informação e nos apropriamos dela como se fosse o fruto do nosso trabalho chama-se facilitismo. Se juntamos o nosso dinheiro ao longo de meses para podermos pagar um "luxo" que namoramos há tempo, isso é facilitarmo-nos a vida; se, porém, aproveitamos uma abébia de um dinheirito emprestado (às vezes a fundo perdido), isso já é facilitismo. Quando vamos em serviço para fora e aproveitamos para conhecer outra cidade, isso é uma facilidade que o trabalho nos permite, mas quando assinamos a folha de presença e desaparecemos de seguida para o laró, deve ser facilitismo...? (para não lhe chamar outras coisas). Então, é mais ou menos isto ou está a escapar-me alguma coisa?


O texto que acaba de ler é da autoria de QI Baixo.
QI Baixo colabora com o Assobio, e escreve neste  blog quando pode e quer.

29 março 2011

País em Crise III - Pequeno-Almoço Fora

PEQUENO-ALMOÇO FORA
FORA COM A CRISE!


Num país em crise, não há tempo para nada, muito menos para tomar o pequeno-almoço em casa. Mesmo quando há tempo, não há paciência.

Saiu dos hábitos de muitos portugueses (e noutros nunca entrou...) fazer a primeira refeição do dia em casa.

A trabalheira de comprar tudo, pôr a mesa, fazer as torradas ou a sandocha, aquecer o leite, descascar a fruta, ... isso era bom para as mulheres de outro tempo, que estavam todo o dia em casa e não tinham dinheiro.

Hoje, uma família tem pressa de sair de casa, e toma o pequeno-almoço fora.

Obviamente, este "luxo" tem um custo: o pequeno-almoço fica pelo dobro do dinheiro, mas não dá trabalho nenhum e portanto é normal que se pague.

Dantes só os ricos tinham poder de compra para se sentarem num café; mas as esplanadas democratizaram-se e hoje qualquer um se pode lá sentar a alimentar os seus vícios de rico com rendimentos de pobre.

Portugal é certamente o país da União Europeia com mais serviço de pequeno-almoço em cafés e pastelarias, facto que se deve, necessariamente, ao nosso elevado poder económico. 

Não vamos com certeza querer comparar um português com um pobretanas dum nórdico, alemão ou francês, essa gente pindérica  que toma o pequeno-almoço em casa...

Isto aqui é outra loiça!

27 março 2011

País em Crise I - Aniversários para Crianças

ANIVERSÁRIOS PARA CRIANÇAS
- A FACHADA


No país em crise, os aniversários das crianças não se comemoram em casa.

Falta espaço para tanta gente, falta tempo para compras, preparativos, cozinhados e limpezas-arrumações pós-festa e falta paciência, porque a vida já é o que é de 2ª a 6ª feira, quanto mais estragá-la ao fim de semana.

No país em crise cultivam-se novas formas de celebração de aniversários.

No país em crise, recorre-se a empresas de eventos ou de restauração, que tratam de tudo, desde a comidinha à animação (música, palhaços, pinturas faciais, figuras de desenhos animados, batalhas de paintball) passando pelos balões e gaitas, mais os presentinhos para todos os convidados, o bolo de aniversário, etc.

No país em crise, o sucesso destes eventos é de tal ordem que já há festas de aniversário às 10 da manhã, por falta de vaga no turno da tarde.

No país em crise proliferaram os negócios neste sector.

Estarão agora em crise?

País em Crise II - as Viagens de Finalistas

VIAGENS DE FINALISTAS - UM DIREITO ADQUIRIDO

Num país normal as viagens de finalistas ocorrem no final do ensino secundário e à saída do ensino superior, e são um acontecimento memorável na vida de um estudante,  uma forma de assinalar a conclusão de um importante ciclo académico.

Num país em crise, fazem-se viagens de finalistas à saída do 3º ciclo, e do 2º ciclo e até à saída do 1º ciclo.

Num país em crise há até quem faça queima das fitas no ensino básico.

Num país em crise, crianças de 12 ou 13 anos fazem as malas e vão para um "resort".

Num país normal, as viagens de finalistas são aproveitadas para conhecer outras regiões pátrias, e conciliam a vertente lúdica com pelo menos algumas preocupações culturais.

Num país em crise, as viagens de finalistas são sempre para o estrangeiro, porque o que é nacional é piroso, e conciliam a vertente - pelo menos - etílica com talvez algumas preocupações de bronzeado em areal.

Um país em crise ostraciza ou ridiculariza os jovens cujos pais não têm capacidade económica para sustentar estas cavalgadas (ou que têm força suficiente para lhes resistir).

Nesta Páscoa, continuaremos a partilhar a nossa crise com Lloret del Mar e afins?

23 março 2011

Ode(io) ao Assobio (por QI Baixo)

Ode(io) ao Assobio

Caro Assobio,

Com as minhas felicitações pelo teu regresso, constato nos últimos dias que a tua rentrée foi em grande!

Não, não é para fazer aqui o elogio do texto, essa parte não me compete nem é este o local próprio. Simplesmente gostei de ver que afinal ainda há muita gente que não fica indiferente ao que lê e que não se importa de "perder tempo" a fazer comentários em blogues.

A propósito do muito que se tem dito/visto/ouvido sobre a geração à rasca, há duas coisas que me ficaram a martelar na cabeça. Primeiro, uma entrevista a uma jovem de 26 anos, licenciada há dois e desempregada há outros tantos, que disse saber que rapidamente arranjaria emprego numa loja ou num supermercado, mas que não se menosprezava (sic) a esse ponto. Segundo, a ligeireza com que a frase "A Nossa Culpa", e as ideias que lhe associaste na parte final do teu texto, vieram a ser relegadas para segundo plano, numa demonstração de que o nosso medo é tanto que talvez seja melhor deixarmos a cabeça enterrada na areia mais uns tempos.

Já agora, e não querendo fazer disto uma Carta Aberta ao Assobio, gostava que soubesses que vários colegas de trabalho me mostraram hoje um texto sobre a geração à rasca. Todos tinham a mesma versão e para todos o texto era da autoria de Mia Couto. Naquilo que pude, lá fui desfazendo o equívoco, só que quando chegou à parte de quererem autógrafos...! eh pá! desculpa lá, mas não posso meter essa cunha!

O texto que acaba de ler é da autoria de QI Baixo.
QI Baixo colabora com o Assobio, e escreve neste blog quando pode e quer.